A região Oeste do Pará, outrora palco de intensas discussões sobre a criação do Estado do Tapajós, vive atualmente um cenário de transformação e consolidação de parcerias políticas e administrativas. O movimento separatista, que ganhou força em decorrência do sentimento de abandono e da percepção de desatenção por parte dos governos estaduais anteriores, parece ter encontrado seu epílogo em uma nova abordagem de gestão. Décadas de reivindicações por maior autonomia e investimentos equitativos culminaram em um pacto de colaboração que tem redefinido a relação entre a capital paraense, Belém, e os municípios do Tapajós. Essa mudança paradigmática, impulsionada por uma série de obras e projetos estratégicos, não apenas refreou os anseios por uma nova unidade federativa, mas também alavancou o desenvolvimento socioeconômico de uma das mais promissoras áreas do estado, marcando um novo capítulo na história política e social do Pará.
O Legado do Abandono e a Gênese do Movimento Separatista no Oeste Paraense
Anos de Desatenção e o Confronto Político na Região do Tapajós
A história da reivindicação pela criação do Estado do Tapajós é intrinsecamente ligada a um longo período de desatenção governamental para com a região Oeste do Pará. O descontentamento popular e político atingiu seu ápice durante a administração do então governador Almir Gabriel, que esteve à frente do Executivo paraense de 1995 a 2002. Durante seus oito anos de mandato, Almir Gabriel manteve uma política de priorização acentuada à região metropolitana de Belém, resultando em um notório descaso com as demandas e necessidades das populações do Oeste e Sul do estado. Essa postura gerou um conflito aberto com o então prefeito de Santarém, Lira Maia, que governou a “Pérola do Tapajós” de 1997 a 2004. A desavença escalou a tal ponto que a paralisação de serviços essenciais, como o corte no fornecimento de energia elétrica, chegou a ser implementada na cidade de Santarém, intensificando o sofrimento da população e catalisando o movimento pela divisão territorial.
O cenário de negligência persistiu e se aprofundou em períodos subsequentes. Simão Jatene, que sucedeu Almir Gabriel e governou o Pará em três mandatos não consecutivos (2003-2006 e 2011-2018), foi amplamente criticado pela continuidade da centralização dos investimentos e da gestão em Belém. Durante seus doze anos de governo, a região do Tapajós enfrentou severas dificuldades na manutenção de serviços básicos. A burocracia excessiva, exemplificada pela morosidade na aquisição de peças para a rede de saneamento básico, que precisavam ser compradas na capital e demoravam meses para chegar, agravava a situação e deixava comunidades inteiras sem acesso a água potável por longos períodos. Esse atraso generalizado na infraestrutura e nos serviços públicos transformou Santarém e o Oeste do Pará em símbolos de uma região que clamava por um desenvolvimento mais equitativo e por maior autonomia decisória, justificando a persistência da bandeira do Estado do Tapajós como uma alternativa viável para superar o que era percebido como um abandono histórico. Embora o governo de Ana Júlia Carepa (2007-2010) tenha sinalizado uma aproximação com a região, especialmente após a eleição de Maria do Carmo como prefeita de Santarém, essa fase foi breve e não conseguiu reverter o sentimento arraigado de desamparo, que se reacendeu com o retorno de Simão Jatene ao poder.
A Reviravolta Administrativa e o Fortalecimento das Parcerias para o Desenvolvimento Regional
Investimentos Estratégicos e a Consolidação de um Novo Pacto com o Oeste do Pará
A partir de 1º de janeiro de 2017, com a posse de Nélio Aguiar na prefeitura de Santarém, e especialmente com a eleição de Helder Barbalho para o governo do Pará, um novo capítulo começou a ser escrito para o Oeste paraense. A transição marcou o fim de um ciclo de confrontos e o início de uma era de colaboração que transformou a dinâmica política e o panorama de desenvolvimento da região. Helder Barbalho, ao assumir o governo em 2019, estabeleceu uma parceria estratégica e robusta com Nélio Aguiar, visando romper com a histórica desavença entre os governos de Belém e Santarém. Essa aliança foi fundamental para canalizar investimentos significativos e acelerar a execução de projetos há muito aguardados pela população local.
A sinergia entre o governo estadual, a prefeitura de Santarém e o apoio crucial do deputado federal José Priante, reconhecido por sua influência e por obras em diversas cidades do Oeste do Pará, solidificou um ambiente propício ao crescimento. Santarém, em particular, tornou-se um polo de grandes investimentos e um exemplo da nova política de descentralização. A presença constante do governador Helder Barbalho na cidade, muitas vezes em entregas semanais de obras ao lado de Nélio Aguiar, simbolizou o compromisso do programa “Helder Por Todo o Pará” com o desenvolvimento regional. Entre as iniciativas mais impactantes, destaca-se a construção da orla de Santarém, uma obra de grande porte que revitalizou a área costeira e gerou um novo senso de orgulho para os moradores. Além disso, a parceria se estendeu à execução de projetos como as orlas da Vila Arigó e do Maracanã, e a pavimentação de quilômetros de ruas na cidade, acompanhadas pela construção de uma nova via de acesso a Alter do Chão, um importante destino turístico. É importante ressaltar que iniciativas anteriores, como o Viaduto Gerardo Monteiro, inaugurado em 2007 no cruzamento da BR-163 com a Rodovia Engenheiro Fernando Guilhon, já demonstravam o engajamento de Priante, à época em parceria com Lira Maia e inaugurada na gestão da prefeita Maria do Carmo. A abrangência e o impacto dessas ações foram tão significativos que a ideia de separatismo, antes uma resposta à inação, foi progressivamente suplantada pelos resultados concretos do desenvolvimento e da atenção governamental.
Perspectivas Futuras: A Necessidade de Manter o Diálogo e o Foco no Desenvolvimento do Oeste Paraense
A continuidade da dinâmica de desenvolvimento e atenção ao Oeste do Pará é hoje um pilar central da política estadual. A atual governadora, Hana Ghassan, tem demonstrado compromisso em dar prosseguimento ao ritmo de trabalho e à agenda de investimentos iniciada na gestão anterior. Em estreita colaboração com o atual prefeito de Santarém, José Maria Tapajós, a governadora tem mantido uma presença constante na região, entregando novas obras e atendendo aos anseios da população. Essa manutenção da parceria é vista como essencial para que Santarém, enquanto cidade polo, e toda a região do Baixo Amazonas continuem a trilhar um caminho de crescimento e a receber os investimentos necessários para o seu desenvolvimento integral.
A lição extraída das décadas passadas é clara: o abandono e a falta de diálogo são catalisadores de movimentos separatistas e de estagnação regional. A prosperidade do Oeste do Pará, e em especial de Santarém, depende intrinsecamente da sustentação de laços fortes e colaborativos com o governo do estado. As parcerias estratégicas não apenas garantem a alocação de recursos e a execução de projetos vitais para a infraestrutura, saúde, educação e geração de emprego e renda, mas também fortalecem a integração territorial e a coesão social dentro do estado do Pará. É imperativo que os laços de cooperação entre a administração municipal de Santarém e o governo estadual de Hana Ghassan permaneçam robustos, assegurando que a região nunca mais experimente o período de isolamento e carências que historicamente impulsionou a busca por autonomia. O futuro do Oeste do Pará está atrelado à continuidade de um modelo de gestão que prioriza a atenção às especificidades regionais e a implementação de políticas públicas que respondam efetivamente às necessidades de sua gente.