Economia cresce 0,7% em maio, puxada por consumo das famílias, diz FGV

A economia brasileira registrou uma expansão de 0,7% em maio, em comparação com o mês anterior, consolidando uma trajetória positiva após períodos de estagnação e leve retração. Este avanço, revelado por um estudo mensal que estima o Produto Interno Bruto (PIB), marca uma retomada e é amplamente atribuído ao dinamismo do consumo das famílias. No trimestre móvel encerrado em maio, o crescimento acumulado atingiu 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, apesar dos resultados favoráveis no curto prazo, a análise detalhada dos indicadores de mais longo prazo aponta para sinais de arrefecimento, com a variação acumulada em 12 meses fixando-se em 1,7%, sugerindo uma desaceleração no ritmo geral da atividade econômica, o que exige atenção dos formuladores de políticas e do mercado.

Crescimento Econômico: Cenário Atual e Desempenho Setorial

Indicadores de Curto e Médio Prazo

O desempenho econômico de maio, com sua alta de 0,7%, reverteu a tendência de estabilidade observada em março (0%) e o recuo de 0,1% em abril. Esta recuperação insere-se em um contexto de flutuações mensais, onde janeiro e fevereiro também registraram crescimentos de 0,7% e 0,5%, respectivamente. A sequência de dados mensais, portanto, ilustra uma recuperação no último mês analisado, mas também a instabilidade presente na conjuntura recente. O trimestre móvel até maio, com uma expansão de 1,9% na comparação anual, reflete uma base de crescimento robusta, embora a variação anualizada de 1,7% em 12 meses, que oferece uma perspectiva mais abrangente, sinalize uma perda de fôlego em relação a períodos anteriores.

O Papel Essencial do Consumo das Famílias

O motor principal por trás do crescimento econômico observado foi o consumo das famílias, que apresentou uma expressiva alta de 3,3% no trimestre encerrado em maio. Este patamar representa o maior avanço desde o quarto trimestre de 2024, quando o indicador registrou um crescimento de 4%. A contribuição do consumo familiar é notável, com mais de 60% desse desempenho positivo vindo dos setores de serviços e de bens duráveis, evidenciando a capacidade de gasto e a confiança dos consumidores. Especialistas que acompanham o estudo destacam que esta força compradora tem sido o pilar do recente avanço econômico, compensando fragilidades em outras áreas e mantendo a roda da economia em movimento.

Fragilidades e Desaceleração de Fôlego

Apesar do papel central do consumo familiar, o cenário econômico brasileiro apresenta pontos de vulnerabilidade. A análise revela que o crescimento da agropecuária ocorre após uma sequência de retrações, indicando uma recuperação ainda incipiente. O setor industrial, por sua vez, mostra estabilidade, sinalizando uma perda de fôlego e desafios para uma expansão mais robusta. Apenas o setor de serviços tem demonstrado um desempenho ligeiramente superior à média geral do início do ano, mas não o suficiente para impulsionar o conjunto da economia de forma homogênea. A concentração do crescimento no consumo das famílias, aliada à queda nas exportações e nos investimentos, sugere uma dependência excessiva de um único componente, aumentando a suscetibilidade a choques. Essa fragilidade é reforçada pelo indicador de 12 meses, que passou de 3,8% em maio do ano anterior para 1,7% atualmente, caracterizando um claro arrefecimento.

Dinâmica de Comércio Exterior e Investimentos

Comportamento das Exportações e Importações

O comércio exterior apresentou um comportamento misto. As exportações cresceram 4,3%, um resultado que, embora positivo, é o menor desde o segundo trimestre de 2025, quando a expansão foi de 2,1%. Esta desaceleração é explicada, em grande parte, pelo desempenho da indústria extrativa mineral, que registrou um crescimento significativamente inferior ao que vinha apresentando desde o início do ano. Em contraste, as importações demonstraram maior vigor, com uma alta de 8,9%, marcando o terceiro trimestre móvel consecutivo de expansão. Esse aumento nas importações pode ser um reflexo da demanda interna aquecida, impulsionada pelo consumo familiar, mas também representa uma saída de recursos que afeta o saldo da balança comercial e a dinâmica de pagamentos.

Investimento e Formação Bruta de Capital Fixo

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que é um termômetro dos investimentos na economia – abrangendo, por exemplo, a aquisição de máquinas e equipamentos, construção civil e softwares –, registrou uma expansão de 2% no trimestre móvel. Este é o segundo período de crescimento após quatro trimestres consecutivos de recuo, indicando uma gradual recuperação no apetite por investir. A taxa de investimento da economia em maio foi estimada em 18,6%, um valor significativo e o segundo maior do ano, ficando atrás apenas de fevereiro, que alcançou 19,2%. Em termos monetários, o Produto Interno Bruto acumulado até maio, em valores correntes, é estimado em R$ 5,466 trilhões, consolidando a dimensão da atividade econômica nacional.

Contexto Mais Amplo e Projeções Futuras

Além do estudo mensal de projeção do PIB, outros indicadores corroboram a dinâmica econômica brasileira. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), frequentemente chamado de “prévia do PIB”, apontou uma expansão de 0,1% na passagem de abril para maio e um crescimento de 1,4% em 12 meses. O resultado oficial do Produto Interno Bruto é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sendo o mais recente para o primeiro trimestre de 2026, que indicou alta de 1,1%. A expectativa agora se volta para a próxima divulgação do IBGE, referente ao segundo trimestre de 2026, agendada para 1º de setembro, que trará dados consolidados sobre o período.

As projeções para o futuro da economia brasileira mostram um consenso de crescimento, embora com variações. O Relatório Focus, pesquisa semanal do Banco Central junto a instituições financeiras, estima que a economia nacional encerrará 2026 com uma alta de 1,99%. Por sua vez, o Ministério da Fazenda mantém uma previsão ligeiramente mais otimista, projetando uma variação de 2,3% para o mesmo período. Essas expectativas, combinadas com os dados recentes, sugerem que a economia brasileira, apesar dos sinais de arrefecimento em indicadores de longo prazo e da dependência do consumo familiar, continua em trajetória de crescimento, mas com desafios persistentes em áreas como investimento e exportações.

Fonte: https://www.rastilhodepolvora.com.br

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